Sunday, January 25, 2009

yo no tengo nada

- Pois se o que querem saber é uma grande verdade sobre a vida, meus caros, hei de dizê-la: o que nos destrói é o conforto de saber que certas coisas estão ali, ao nosso alcance, ainda que não nos interessem verdadeiramente. Como vez ou outra o quadro se altera, dão-se a partir desse fato aqueles casos nos quais a mocinha vai para o estrangeiro e sente falta de fruta-do-conde, mesmo que em terras tropicais tal alimento nunca tenha sido de sua predileção. E também aquelas situações nas quais o velho, em seu leito de morte, verte algumas lágrimas de saudade antecipada das casinhas bonitas de João Pessoa, que não chegou a conhecer.
Ocorre que até então a fruta estava ali, entende? Assim como as residências paraibanas. Estavam todas logo ao lado. Eis também como funcionam as relações humanas - as pessoas estão próximas umas das outras, absolutamente disponíveis, até o dia em que não estão mais. E é aí que a mocinha e o velho levam as mãos ao rosto e choram feito bebês de colo, mostrando todo o vazio que insiste em seguir dentro de cada um deles, digo, dentro de cada um de nós. Mostrando-se absolutamente iguais.

Saturday, January 17, 2009

random #2

No final das contas, todo mundo é mais humano do que a gente gostaria que fosse.

Thursday, January 08, 2009

velharia

Troquei de ano.
De roupa.
De pele.

O coração, meu bem, continua o mesmo.

Sunday, January 04, 2009

agora vê se esquece o drama (ou "bang bang, shoot shoot")


Parte da melancolia faz-se necessária à conservação da lucidez.
O que resta não costuma ser mais que uma errônea questão de ponto de vista.