Thursday, July 23, 2009

#filosofiadeboteco

Hoje eu fui tomar banho e havia uma pequena aranha (no pun intended) no box.
Lembrei de episódios da mais tenra infância. Na escola, víamos animais semelhantes ao visitar o laboratório e ouvíamos sobre o quão perigosas eram tais criaturas. Deveríamos expulsá-las de nossos lares. Ficar longe delas. Matá-las, se necessário fosse. A qualquer custo, mantê-las em seus devidos lugares - aranhas malditas, grotescas e abomináveis, eis o que eram. Nada além disso.

Pois bem. Tenho 23 anos e não visito laboratórios com meus coleguinhas há um bom tempo. O fato é que gastei alguns minutos olhando o pobre bicho que dividia amigavelmente seu espaço comigo no box e, pra variar, pirando.
Não é só das aranhas que nos ensinam a manter distância, mas também dos loucos (oi?), das vadias, dos gays, dos bandidos e de mais metade da humanidade. É como se carregassem um estigma. Nasceu aranha? Já era. Louco? Delsolivre! Vadia? Taca pedra na Geni. E por aí vai. Ninguém quer saber o que são além desses rótulos simplórios.

Quer dizer, ninguém uma pinóia. Eu quero.
E, observando minha companheira de banho, senti um orgulho imenso disso.

6 comments:

Anonymous said...

matou ou não matou?

tatiana said...

jamais!
ela ficou comigo mais um tempo, depois ajudei a pobrezinha a encontrar uma planta pra morar.

Devathai said...

Taten é ídala =D

Nos ensinam tanto a manter distância que quando resolvemos chegar perto, recebemos apelidos nada, nada carinhosos. Mas quem liga?

Plansky said...

Verdade, que o diga o pobre Gregor Samsa.

Pitango said...

Por causa destes preconceitos imbutidos nas pessoas na tenra idade, por vezes mata-se ou faz-se mal a alguém gratuitamente. Vamos exterminar a estupidez humana...

http://www.tchubaduba.blogspot.com/

Daniel F. Ribeiro said...

Tendência a gostar de aranhas. Hm, aranhas. Sei, sei. =P