Tuesday, November 25, 2008

random

Lembrei do tempo em que eu não gostava de Beatles e me bateu uma mini-tristeza.
Não por não ser mais quem eu fui como pude não gostar de Beatles?, mas por não saber quem eu quero ser.

Sunday, November 16, 2008

auto-consolo

Bobagem essa saudade do que poderia ter sido e não foi, uma vez que o que não foi não era pra ser e, se vier a ser pra ser, sê-lo-á tão-somente no tempo certo.

Tuesday, November 11, 2008

ninguém viu

Chamavam-no Valeska à noite, perdido em algum ponto da Piquiri. Os vizinhos se irritavam com a presença das meninas; porém, pago o pedágio aos policiais, não havia quem as tirasse dali. O grande amor de sua vida fora Oliveira, um respeitável senhor casado com Dolores há três décadas. Depois de quase 2 anos de encontros constantes, Valeska se declarou. Oliveira nunca mais apareceu na Piquiri e as meninas a consolaram. Toda manhã, ao voltar para o quarto da pensão, ia até a janela e deixava o olhar se perder enquanto cantarolava baixinho Coming Around Again, da Carly Simon. Na calçada à frente, a panificadora abriria em instantes. A vida seguia.

Monday, November 10, 2008

boemia

Eu estudo com muitos velhinhos na pós e me faz falta o ambiente de graduação. Mesmo. Minha sorte é que tenho vários amigos ainda nessa vibe jovem, de modo que me sinto menos idosa. Em partes.
Eis que no último sábado estivemos em uma festividade maluca de Letras e História da Federeca. Não só me senti uma adolescente insana - também me comportei de tal modo. Assim como todos os presentes. E foi bacana.
Há um certo momento da vida em que você percebe que o tempo para fazer determinadas coisas está se esgotando. Enquanto o fim não chega, nós aproveitamos. E, na segunda-feira, tudo volta ao normal.
Na segunda-feira, tudo sempre volta ao normal.

Wednesday, November 05, 2008

coluna social

Lucinha marcou com Antônio, o fotógrafo, às duas. Andressa, a filha, estava no salão de beleza pela manhã, exigindo que o maquiador disfarçasse os olhos tortos herdados da mãe. Horrorosa, Andressa. Lucinha também não é grande coisa. E nenhuma das duas entende que, para desentortar os olhos, também é preciso consertar o olhar.

Antônio, o fotógrafo, foi pontual. Gostaria de registrar mendigos com sua máquina, mas era preciso sobreviver. Então desperdiçava seu talento eternizando momentos que não interessam a ninguém além das Lucinhas. Ainda assim, sentiu-se mal por ter reparado na semelhança entre os olhos absolutamente medonhos daquelas mulheres. Um bom homem, Antônio.

Abrahão, marido de Lucinha, apareceu meia hora depois do combinado. Estava ocupado com Clarice, colega de faculdade de Andressa. Clarice gostava de Abrahão e dos olhos amendoados dele. Clarice não sabia que Andressa não era filha de Abrahão. Ele também não sabia.

Enquanto Antônio trabalhava, a família tentava parecer de fato uma família. Sorriam mecanicamente. Andressa ficou enjoada com o perfume de Lucinha. Andressa odiava a mãe, justamente por ser tão semelhante a ela. Abrahão se odiava por odiar Lucinha, mas gostaria de proteger Andressa de todas as mazelas do mundo. Andressa não se importava com isso.

Três semanas depois, as fotos foram expostas no Shopping Crystal.
Andressa exigiu as versões digitalizadas. Colocou no álbum do orkut.
Abrahão mostrou um retrato para Clarice. E lembrou de Andressa quando bebê.
Lucinha rapidamente tirou da bolsa os óculos escuros. Por baixo deles, as lágrimas.

Entre as socialites e os empresários, a exposição foi um sucesso.

Monday, November 03, 2008

melhor nem saber

Se eu algum dia listasse coisas que me parecem incoerentes, um dos itens enumerados seria tocar LDN¹ em uma pista de dança - o que acontece com freqüência num certo bar curitibano e que sempre me faz pensar. Vejam só:

When you look with your eyes
Everything seems nice
But if you look twice
You can see it's all lies

E as pessoas, tolas, prestando atenção apenas na melodia, dançando e se divertindo. Não sei como ninguém se dá conta da verdade triste desse trecho. Sempre a mesma história: no começo é tudo bacana, bonito, um alto astral (adoro essa expressão, é tão Malhação) só. Porque o ser humano mente, pra si mesmo e pros outros. Não é por mal; a gente simplesmente mente, e é por isso que no começo fica tudo bem. Espera passar algum tempo pra ver no que dá. Não há o que não se torne mais trabalhoso, mais complicado, mais difícil de tolerar.

Só é verdadeiramente fácil amar aquele/aquilo que não se conhece. Fim.

¹Lily Allen

Saturday, November 01, 2008

das doenças que eu não quero curar

Daí que, a cada dia que passa, estou mais e mais convencida de que minha mente é algo que possui vida própria, de modo que sobre aquela não tenho o menor controle. Thom Yorke disse em uma entrevista que "tem (sic) certos dias em que minha mente funciona tão rapidamente que eu não consigo controlá-la. 'The Tourist' é um tipo de prece que eu fiz para fazê-la parar". Eu adoro "The Tourist". E fiquei emocionada ao saber que Thom compreenderia o que se passa por aqui.

Pois bem, voltando ao tema. Até outro dia eu não costumava ter sonhos X-Rated. Ultimamente tenho estado um pouco descompensada, e tal realidade se modificou. O fato é que ontem li a Superinteressante e vi um anúncio do remake de Beverly Hills 90210. E o mencionado sonho porn incluía não esta que ora escreve, mas sim Brandon e Valerie. Exatamente, personagens de Beverly Hills 90210 - ou Barrados no Baile, como queiram - em sua versão original. PELAMORDEDEUS.

De todo modo, o que me importa mesmo não é nada disso. Peço perdão pelos devaneios, eu avisei que tenho estado um pouco descompensada. O que pretendia dizer é que essas confusões absurdas derivadas da minha estranha atividade cerebral ocorrem não apenas em sonhos. Há um banzé constante também na vida real, e os problemas surgem exatamente a partir disso. The voices in my head made me do it. É uma insanidade. E eu me pergunto se haveria alguma graça se assim não fosse.

Em tempo: alguém viu meu Gardenal?