Thursday, July 31, 2008

eclipse total do coração

Lilya contou-me há pouco que pegou o ônibus chique da cidade e tocava "Total Eclipse Of The Heart" na rádio. Cantou junto, ficou emocionada, chorou, escandalizou as velhinhas que a acompanhavam no trajeto do coletivo.

Outro dia, tão logo pisei no restaurante onde eventualmente almoço, Bonnie começou a se lamentar. Cantei junto, fiquei emocionada, chorei, escandalizei os companheiros proletários que enchiam seus pratos de gordura.

Lilya me entende. E Bonnie nos entende. Mas as outras pessoas, ah, as outras pessoas não sabem de nada. Absolutamente nada.

Tuesday, July 29, 2008

não é assim que deve ser

Vinho, blues, vinho.
Faz o serviço.
- Te ligo, ele diz.
Não liga.

Ela liga, coitada.

Monday, July 21, 2008

sobre estar vulnerável

Eu não ligo a mínima pra possibilidade de voyeurismo dos meus vizinhos. Primeiro porque me observar não deve ser lá tão interessante e, segundo, porque Tia Neidinha ensinou que "quem já viu não se assusta; quem nunca viu, não sabe o que é".
Pois bem. A velhinha do prédio da frente, que não se preocupa muito em disfarçar o fato de que gasta algum tempo olhando pra cá, certamente já me viu de calcinha. Dançando Kylie Minogue. De calcinha, dançando Kylie Minogue. Como dito acima, eu não ligo a mínima.
Mas outro dia revi "21 Grams", e quem me conhece sabe o que esse filme causa - dor, inclusive física. Não bastassem todas as lágrimas vertidas durante a película, me pus a chorar depois que ela terminou. Uns 15 minutos assim, num estado deplorável.

Quando ergui a cabeça de novo, vi que a velhinha me olhava.
Desde então, a persiana fica fechada. Quem ela pensa que é pra me expor assim?

Monday, July 14, 2008

vomitei

Já listei alhures as ofensas que mais me apetecem no vernáculo; hoje, venho fazer breves comentários sobre os supostos apelidos carinhosos que me parecem verdadeiras afrontas. Fica o top 3:

a) querida - palavra normalmente pronunciada em tom irônico e com ênfase na segunda sílaba (queriiiida), é o fim dos tempos. Desperta-me instintos homicidas;
b) bebê - típica de casalzinho meloso que em terceiros causa náuseas. No dia em que um homem se referir a mim desse modo, caso com Jesus;
c) flor - até uso de brincadeira, normalmente alterada (frô). Mas tenho ganas de espancar a vendedora da Zara que assim me chama, sempre em tom de voz que ultrapassa os decibéis aceitáveis. Não sou parte da flora, oi.

E, por derradeiro, registre-se a expressão mais grotesca da face da Terra - mande beijos, na testa, na bochecha, na boca, (insira sua preferência aqui), mas beijo no coração é meu cu em chamas. Fim.

Wednesday, July 02, 2008

feels good, looks good, sounds good too¹

Tudo o que eu gosto tem potencial altamente destrutivo. Tudo.
Sem mais.

¹Emerge - Fischerspooner