Thursday, February 07, 2008

um dia de cada vez

Quando eu estiver prestes a morrer e passar aquele filminho na minha cabeça, espero ver minha mãe alimentando os cães de rua, meu pai apostando corrida de moto com os amigos, minha melhor amiga voltando de uma viagem de 10 meses.
Eu também espero ver meu primeiro dia de aula na faculdade, as gardênias do caminho para um apartamento antigo, o nascimento da minha irmã mais nova. E meu padrinho me ensinando expressões matemáticas quando eu tinha 9 anos, os primos fantasiados no Carnaval, as tias lavando a louça dos almoços de domingo que minha avó tantas vezes fez, a expressão da minha irmã do meio quando viu o nome na lista de aprovados. Espero ver ainda a noite no Retrô que me fez estar prestes a conhecer algumas das melhores pessoas que já passaram pelo meu caminho, os filhotes de orangotango dos programas de televisão, os velhinhos negros de cabelos brancos, os tons de vermelho nos filmes de Almodóvar. Na verdade, se possível fosse, eu esperaria rever minha vida toda, porque estou cada vez mais convencida de que não existe absolutamente nada que não valha a pena de algum modo e que ver as coisas sob uma perspectiva maniqueísta é o pior erro que se pode cometer.

Monday, February 04, 2008

"I'm a high school lover,
and you're my favorite flavor.
Love is all, all my soul.
You're my playground love."¹

Os posts de maior repercussão neste blog foram, em sua maioria, os que tratam de minha sucessão de erros - ou vida amorosa, como queiram. E não porque os que por aqui passam querem saber detalhes acerca de minhas desventuras, muito menos porque se tratam de histórias interessantes. Em verdade, as coisas tomaram tal rumo porque sou eu que atribuo uma importância nunca dantes vista a assuntos dessa natureza.
Sou eu que me descabelo cada vez que ouço uma palavra que me desagrada. Sou eu que me afogo em expectativas incontroláveis. Sou eu que tenho surtos psicóticos com cada lembrança de fulano; e é claro que quase tudo se torna uma lembrança de fulano. Sou eu que lamento ter perdido a capacidade de fazer joguetes em razão da sinceridade latente da qual não consigo me livrar. Sou eu que vou até o talo em tudo, enquanto os outros se contentam com uma amostra grátis.

Sou eu que me lasco.

¹Playground Love - Air