Thursday, April 26, 2007

8 ou 80

Havia a comida da mãe. E os cães de rua com aqueles olhares quase humanos, e os fones de ouvido, e os sapatos bonitos e desconfortáveis, e os cigarros de menta consumidos em boa companhia, e as piadas tolas que surgiam durante as aulas, e os filmes que já assistira inúmeras vezes.
Mas também havia o tempo nublado. E as expressões descontentes das pessoas sentadas nos bancos dos ônibus, e o menino que procurava latinhas no lixo amontoado na esquina, e a notícia ruim que não lhe saía da cabeça, e a ofensa que lhe fora dirigida sem qualquer motivo, e a saudade que só aumentava, e os pensamentos estranhos que vez ou outra assustavam.

Havia muita coisa. E havia tudo ao mesmo tempo. Sendo assim, por quê conseguia enxergar tão-somente esse ou aquele lado?
Um problema de cegueira, talvez. Porque era tudo uma questão de ponto de vista.

Ou não.

Saturday, April 07, 2007

as mentiras que os humanos contam

E aquela história de dizer que o tempo cura tudo?
Falácia, embuste, lorota. O tempo não cura é nada; ele apenas tira o incurável do centro das atenções.

Sunday, April 01, 2007

e podia ser tudo tão simples

Quando abrir as janelas e deixar a brisa do outono renovar o ânimo. Quando caminhar sem rumo observando todas as cores escondidas na cidade aparentemente cinza. Quando tomar banho de chuva sem pensar na gripe lascada que virá depois. Quando sorrir para as crianças que brincam na praça ao lado de casa.

Quando se libertar das velhas amarras e começar a se tornar quem verdadeiramente deseja ser.