A pequena fotografia ao lado desse singelo texto eterniza uma obra exposta no MON. Àqueles que não têm uma visão privilegiada - como eu, adianto que se trata de uma pintura que retrata um estranho ser humano pondo ovos. Ao lado do quadro, há uma legenda com seu respectivo nome, qual seja: Hijo, la vida nos convierte a veces en lo que realmente no somos (de la serie Los consejos de mamá).Foi o que me bastou para (mais) uma noite de insônia. A tal obra me deixou um tanto quanto nervosa e gastei algumas horas pensando a respeito de seu significado. Talvez se a vida nos convertesse por vezes naquilo que não somos, eu aceitasse a informação com maior facilidade. Em verdade, o problema reside na palavra realmente.
Notem, se tal termo não estivesse ali, a frase assumiria um caráter consideravelmente mais brando. Eu não sou uma artista circense, tampouco um samurai, nem uma passista de escola de samba. Pois bem, agora insiram o aludido vocábulo. Eu realmente não sou pretensiosa, nem uma religiosa fanática, e muito menos uma feminista datada. Sem o dito signo linguístico (hahaha), penso de modo genérico em coisas que simplesmente não fazem parte da minha rotina; ao contrário, quando se trata do título da obra como ele verdadeiramente o é, lembro exatamente daquilo que não sou e não quero ser, sob quaisquer circunstâncias.
O que me tranqüiliza é que, bem, vocês sabem: mamãe nem sempre está correta.
Em tempo: voltar a escrever em primeira pessoa não me fez bem. Vou tomar minha medicação, retorno em breve.