Monday, September 18, 2006

insultos válidos

Não é preciso saber muito a meu respeito para perceber que tenho certa obsessão pela língua portuguesa. Leio compulsivamente e escrevo todos os dias. Não gosto de erros relacionados ao referido idioma e a possibilidade de cometê-los me causa certa aflição; contudo, dispenso parnasianismos e afins. Acho cafona.
Agradam-me mesmo as palavras divertidas, aquelas que nos fazem sorrir discretamente quando são lidas ou ouvidas. Dentre elas, claro, encontram-se algumas que denotam certo desprezo ou algo que o valha. Não por acaso, fazem parte da minha lista de favoritas (isso é que é ser simpática e educada). Vejam só que bacana:
Verme - créditos de Pedro. Trata-se de termo pouco utilizado e causa alguma repulsa, o que pode ser bastante útil em determinadas situações. Excelente para designar pessoas notoriamente insuportáveis.
Cretino - créditos de Rafa. Recordo-me de uma professora histérica que supostamente deveria ensinar Biologia quando eu estava na 6ª série. Ruborizada e salivando em níveis anormais, freqüentemente tomada pela ira, a mencionada criatura costumava referir-se a mim e a meus colegas como "seus cretininhos". Sempre achei tal expressão engraçadíssima e fazia certo esforço para não cair na risada.
Jaguara - créditos de João. Desde que me conheço por gente, meu pai reporta-se a pessoas inúteis dessa forma. Não é chula como "vagabundo", tampouco insossa como "folgado". Uma belezura.
Mongol - créditos de Rach. Em minha modesta opinião, soa tão bem que por pouco não consiste em adjetivo de ordem elogiosa.
Claro que o uso dessas e demais manifestações (supostamente) negativas de nosso idioma deve ser moderado. Vivemos em sociedade, de modo que não me parece conveniente distribuir ofensas gratuitamente. Contudo, para quem considera "estranha" um dos maiores elogios que existem, há que se compreender tal predileção. E esse texto termina aqui.

Friday, September 08, 2006

nem sempre é fácil


A caminhada fora breve, sequer houve tempo para que ela se cansasse. Em frente à vitrine, a mãe lhe disse, em tom de grande satisfação:
-Olhe quantas, querida! E todas diferentes umas das outras, cheias de detalhes. Pode escolher a que você quiser.
Lá dentro, inúmeras bonecas se acumulavam nas prateleiras. Sorridentes e bem penteadas, aos olhos da pequena pareciam pedir insistentemente para que ela fizesse sua opção. Fechou os olhos e, por um breve momento, ouviu vozes distintas repetindo "me escolha, me escolha".
Buscando se concentrar, enxergou então o reflexo atrás de si. Do outro lado da rua, uma menininha de vestido florido; nas mãos dela, a boneca mais bonita que a pequena de grandes olhos vira até então. Não pensou duas vezes:
-É aquela a que eu quero.
Distraída, a mãe respondeu-lhe em voz baixa:
-Você sabe que só pode ter uma das que estão na vitrine, não sabe? Aquela já tem dona.
Ela sabia. Mas não desistiria tão fácil assim.